Artesanato


Artesanato, uma arte tradicionalmente de carácter familiar, na qual o artesão possui os meios de produção e trabalha em sua própria casa ou em atelier, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final, produzindo objectos pertencentes à chamada cultura popular.

Considerando o Artesanato, um trabalho tipicamente manual, onde mais de 80% da peça é fruto da transformação da matéria-prima pelo próprio artesão, esse produto normalmente reflecte a relação do mesmo com o meio onde vive e a sua cultura.

Esta arte de trabalhar com ou sem ajuda de ferramentas e mecanismos caseiros, as matérias brutas, sobras e lixo do consumo industrial, visando produzir peças utilitárias, artísticas e recreativas, com ou sem fim comercial, torna o Artesanato bastante apreciado e acarinhado em especial, pelas gentes locais.

Mãos hábeis transformam as matérias que a natureza oferece, tem sido assim ao longo dos séculos. Antes da industrialização, apenas o trabalho artesanal supria as necessidades das comunidades rurais e embora, desde há algumas décadas para cá, materiais novos tenham invadido o pacífico quotidiano destas gentes, não se perderam, pelo menos irremediavelmente, esses saberes ancestrais. Permanece, ainda que sem o fulgor que outrora teve, o sábio aproveitamento dos recursos naturais disponíveis localmente, no caso do Porto Santo falamos das conchas, da areia, dos palmitos, da cana ou canavieira, do barro, da madeira… cuja transformação artesanal assume real importância, sobretudo no seio da comunidade da região.

O artesanato tradicional produzido em Porto Santo, ainda não perdeu o cariz utilitário que desde sempre lhe esteve subjacente, materializando-se em objectos úteis e funcionais, mas também em peças, mais ligadas aos actos festivos e à, decoração, reforçada a sua expressão estética. A permanência das necessidades tem invalidado o desaparecimento deste tipo de actividade e do próprio artesanato.

Em Porto Santo, podemos encontrar as seguintes Formas de Artesanato:

Há alguns anos atrás existia em Porto Santo, os Ferreiros, que moldavam chapas de cobre ou de zinco unidas por uma solda que, em muitos casos, é um segredo de profissão. Em cobre produzem-se essencialmente, alambiques e caldeiras, usadas na confecção de doces e enchidos ou como tachos de uso quotidiano. O repertório das formas em zinco é mais variado, incluindo, igualmente, caldeiras, para idêntico uso ao das de cobre, mas também cântaros, candeias, almotolias, funis e regadores para a rega dos hortos.

- Entrelaçados de Palmito:

A partir de tenros palmitos (folhas de palmeira), concebem-se diversos utensílios. Entre eles, vários tipos de chapéus, carteiras, cintos, forros para copos e garrafas. Bastante procurados são os palmitos bordados, uma espécie de ramo muito utilizado na Procissão de Domingo de Ramos. Estes são, de resto, artigos muito procurados pelas pessoas que visitam a ilha.

- Cana ou Canavieira:

A cana ou canavieira nasce, normalmente, nos locais húmidos. Os cestos feitos a partir desta matéria têm geralmente dois tamanhos. Para elaborar os cestos grandes são utilizadas canas com seis palmos de comprimento, enquanto que, para os mais pequenos, canas com três palmos.

- Barro:

A olaria é outra das actividades com larga tradição na nossa ilha. A argila cinzenta e macia, que, outrora, servia de matéria-prima para as pequenas figuras que ornamentavam os presépios, era recolhida na Serra de Fora.
Actualmente, esta arte pode ser observada “in loco” num Atelier situado no centro da cidade, onde um conhecido artesão molda, diariamente, o barro, concebendo peças decorativas e diversos utensílios.

- Conchas:

Dentre as diversas peças de artesanato produzidas na nossa ilha, podemos destacar, ainda, aquelas cuja concepção é feita a partir de conchas e búzios recolhidos na nossa baía. São disso exemplo: os candeeiros de mesa-de-cabeceira, tocadores de instrumentos, aves, molduras, guarda-jóias, etc.